
Então surgiu na minha mente a óbvia conclusão deslumbrante: as leis da natureza não tem produzido um só acontecimento em toda a história do universo. As leis são a norma a qual os acontecimentos devem se ajustar, sempre que movidos ou ocorridos. Porém, como conseguimos que ocorram? Como conseguimos que o movimento não se detenha? As leis da natureza não nos podem ajudar a responder essas perguntas. Os acontecimentos as obedecem, como as operações monetárias obedecem as leis da aritmética. Some cinquenta centavos a outros cinquenta centavos e o resultado será de um real. Porém, a aritmética, por si mesma, não porá um só centavo em nossos bolsos. Até agora, eu tinha a vaga idéia de que as leis da natureza poderiam fazer com que as coisas ocorressem. Agora vejo que isso seria como pensar que poderíamos aumentar nossos salários fazendo somas com ele. As leis são a norma a qual se ajustam os acontecimentos. Porém, sua origem deve ser procurada em outro lugar.
Talvez se possa expressar esta idéia dizendo que as leis da natureza explicam todas as coisas, exceto a origem dos acontecimentos.
Então, de onde vem os acontecimentos? Cada acontecimento procede de um acontecimento prévio. Porém, o que ocorre se seguirmos a linha do processo até a sua origem?
Nosso problema atual não são as coisas, mas os acontecimentos. A ciência, quando atingir um estado de perfeição, explicará a conexão entre cada elo da corrente, porém a existência real da corrente continuará completamente inexplicável.
Em Hamlet, quebra-se um galho e Ofélia morre. O fato ocorreu porque o galho se quebrou ou porque Shakespeare quis que Ofélia morresse neste momento da obra? Escolham o que quiserem, até mesmo as duas possibilidades. A alternativa sugerida pela pergunta não é, de maneira alguma, uma alternativa real, uma vez que sabemos que é Shakespeare o autor de toda obra.
Lewis








