“Contenham esse avanço... Façam qualquer coisa, por menor que seja... Mantenham aberta ainda que seja uma só porta dentre cem, pois conquanto que tenhamos pelo menos uma porta aberta, não estaremos numa prisão.”
(G.K.C)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A troca de valores

Chesterton
Tremendas Trivialidades[1]

De todos os sinais de modernidade que se parecem traduzir em algum tipo de decadência, nenhum é mais ameaçador e perigoso do que a exaltação de normas de conduta pequenas e secundárias, à custa das grandes e primárias, à custa dos laços eternos e da trágica moralidade humana.

Desse modo, costuma considerar-se mais injurioso acusar um homem de mau gosto do que de má ética. Hoje em dia, já não se associa a limpeza à santidade, visto que a limpeza se converteu em algo essencial, ao passo que a santidade se converteu em algo ofensivo.

(...) O grande perigo para a nossa sociedade está em que todo o seu mecanismo se possa tornar cada vez mais fixo, à medida que o espírito se torna mais inconstante.

Os pequenos atos de um homem deveriam ser livres, flexíveis, criativos; o que deveria permanecer inalterado são os seus princípios, os seus ideais. Mas conosco o contrário é que é a verdade: os nossos pontos de vista alteram-se constantemente, mas o nosso almoço permanece inalterado.

[1] Lançamento em Portugal pela editora Alêtheia. Há também uma antiga edição em espanhol sob o título "Enormes Minúncias".

sábado, 20 de novembro de 2010

A violência da razão

Chesterton, Doze tipos.

A razão é sempre uma espécie de força bruta; aqueles que recorrem à cabeça ao invés do coração, ainda que pálidos e polidos, são necessariamente homens de violência. Falamos em "tocar" o coração de um homem, mas nada podemos fazer à sua cabeça senão golpeá-la.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

E fácil ser louco; é fácil ser herege

Chesterton

E fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do cristianismo — isso teria sido de fato simples.

É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos tem sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé.

Ortodoxia

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A verdadeira Educação

Chesterton

As pessoas que mais falam em “mudança” e “progresso” são as que menos conseguem imaginar, realmente, qualquer alteração nos atuais testes e métodos de vida. Por exemplo, elas fazem do “ler e escrever” um teste para todas as idades e todas as civilizações. Ler e escrever são em si meras realizações, realizações deliciosas e empolgantes, como tocar o bandolim ou andar de montanha russa. Algumas realizações estão na moda num momento, outras noutro. Em nossa civilização, quase todos podem ler. Na civilização sarracena, quase todos podiam cavalgar. Mas as pessoas aplicam os três “R’s”[1] a toda a história humana. Elas dizem, num tom de voz de quem está chocado: “Você sabia que na Idade Média não se conseguia encontrar um cavalheiro em dez que soubesse assinar o próprio nome?” Isto é análogo a um cavalheiro medieval ter dito horrorizado: “Você sabia que no reino de Eduardo VII, sequer um em dez cavalheiros sabia como usar um falcão mensageiro?” Ou, falando mais precisamente, seria como se um cavalheiro medieval expressasse perplexidade porque um moderno cavalheiro não consegue adornar seu brasão de armas. O alfabeto é um conjunto de símbolos arbitrários. No século XIV, todo cavalheiro conhecia um; no século XX, todo cavalheiro conhece outro. O primeiro cavalheiro é precisamente tão ignorante por não saber que “gato” se soletra g-a-t-o, quanto é o segundo cavalheiro por não saber que a Cruz de Santo André é chamada de santor, ou que verde e escarlate não combinam em heráldica.

Falamos, com típico fanatismo e estreiteza, do Alfabeto. Mas há, na verdade, um grande número de alfabetos, além do alfabeto de letras. O alfabeto de letras era pouco usado na Idade Média: esses outros alfabetos são pouco usados agora. Certo número de soldados aprendem a transmitir suas mensagens acenando abruptamente pequenas bandeiras. Outros conversam entre si de um modo íntimo e loquaz por meio de reflexos da luz do sol em espelhos. Esses alfabetos são agora realizações tão peculiares e restritas quanto a escrita era na Idade das Trevas. Eles podem se tornar algum dia um hábito tão difundido e universal quanto a escrita é agora. Em alguma era futura poderemos ver uma dama e um cavalheiro, um de cada lado da mesa, discutindo de forma animada acenando bandeirinhas um para o outro. Poderemos ver distintas senhoras nas janelas de seus aposentos, com seus espelhos de maquiagem voltados para a rua, agitando-os violentamente a fim de se comunicarem como uma amiga a alguns quilômetros de distância. Isto será especialmente satisfatório, pois lhes proporcionará um uso para seus espelhos, artigos que elas, no presente, consideram inteiramente sem raison d’être.

Quão estranho é, então, que tão constantemente pensemos que a educação tenha algo a ver com tais coisas como ler e escrever! Ora!, educação real consiste em não ter nada a ver com coisas como ler e escrever. Ela consiste, no mínino, em ser independente delas. A educação real consiste no fato de que vemos além de símbolos e de meros mecanismos da época em que nos encontramos: a educação consiste precisamente na percepção de uma simplicidade permanente que sobrevive por trás de todas as civilizações; a vida que é mais que alimento; o corpo que é mais que vestuário. O único objetivo da educação é fazer-nos ignorar os meros esquemas de educação. Sem educação estamos num perigo horrível e mortal de levar a sério as pessoas instruídas. A última das modas da cultura, o último dos sofismas do anarquismo nos arrebatarão se não formos educados: não saberemos quão antigas são as novas idéias. Pensaremos que a Ciência Cristã[2] é realmente todo o cristianismo e toda a ciência. Pensaremos que as cores artísticas são apenas as cores da arte. O homem deseducado sempre se importará excessivamente com complicações, com novidades, com a moda, com a coisa mais recente. O homem deseducado será sempre um dândi intelectual. Mas o negócio da educação é nos contar a respeito de todas as diversas complicações, de toda a estonteante beleza do passado. A educação impõe-nos conhecer, como disse Arnold[3], todas as melhores literaturas, todas as mais belas artes, todas as melhores filosofias nacionais. A educação nos impõe conhecê-las todas para que possamos passar sem todas elas.

[1] Os três erres se referem às palavras, em inglês, relativas às supostas três habilidades básicas de uma educação orientada: reading [leitura],writing [escrita], arithmetic [aritmética]. As palavras, embora não comecem todas com “r”, têm um fonema forte que envolve esta letra.

[2] Religião fundada em 1866 por Mary Baker Eddy. Seus adeptos acreditam que o homem e o universo são coisas espirituais em si e que o mal e o erro são produtos da existência material.

[3] Matthew Arnold foi escritor e crítico cultural inglês. Foi um dos mais influentes escritores ingleses do século XIX.

Excerto do Blog do Angueth

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A história pela metade

Chesterton

A inovação moderna que substituiu a história pelo jornalismo, ou por aquela tradição que podemos chamar de "fofoca" da história, teve pelo menos um efeito claro: garantiu que as pessoas ouçam apenas o fim das histórias.

Esse tipo de jornalista ou "historiador" nunca pensam em publicar a vida até o momento de publicar a morte. Assim como lida com os indivíduos, lidam também com as instituições e as idéias. Após a Primeira Guerra Mundial, nosso público começou a ouvir falar da emancipação de todo tipo de nação. No entanto, nunca ouvira dizer que essas nações estivessem escravizadas. Fomos chamados a avaliar se era justo que essas nações se estabelecessem quando nunca nos permitiram saber que existiam desavenças.

É muito interessante. É mais ou menos igual ao último ato de uma peça para aqueles que acabaram de entrar no teatro bem na hora de a cortina cair. Mas não permite saber exatamente do que trata a história toda. Essa maneira leviana de promover o teatro, pode ser recomendável para os que se contentam com um tiro de pistola ou um abraço apaixonado. É insatisfatório, porém, para os atormentados por uma curiosidade meramente intelectual sobre quem está beijando ou matando quem, e por quê.

Boa parte da história moderna padece dessa mesma imperfeição. Na melhor das hipóteses, os historiadores contam apenas metade da história e tratam a segunda metade sem falar da primeira. Homens para quem a razão tem início com o Renascimento, homens para quem a religião nasce com a Reforma, nunca podem fornecer um relato completo de coisa alguma, pois têm de partir de instituições cuja origem não podem explicar ou, de modo geral, nem ao menos imaginam. Na versão apresentada por esses autores, a história simplesmente não começa. Eles só chegam no momento da morte, quando não depois que ela já ocorreu. Esses autores apenas juntam, por assim dizer, as próprias cinzas das cinzas, o último resto dos restos.

Tomamos conhecimento de reformadores sem saber o que tinham a reformar; somos colocados diante de rebeldes sem ter noção do objeto de sua revolta; lemos memoriais que não tem relação com memória alguma; e somos informados de restaurações de coisas que aparentemente nunca existiram antes de serem restauradas.

Ora, imagino que todos saibam que os séculos XII e XIII foram "um momento de um despertar do mundo. Nesse período ocorreu um novo florescimento da cultura e das artes criativas que se sucedeu a um longo período de experiência bem mais desagradável e até estéril, que chamamos de Idade das Trevas". Esses séculos podem ser considerados uma emancipação; foram, com certeza, um fim, um fim do que talvez pareça um período mais difícil e mais desumano. Mas, o que chegou ao fim? De que os homens foram emancipados? É em relação a isso que há um verdadeiro conflito e desavença entre as diferentes filosofias da história.

Sob o aspecto meramente externo e secular, tem sido afirmado com exatidão que os homens despertaram de um sono, mas houve, durante esse sono, sonhos reveladores e, às vezes, de uma espécie monstruosa. Na rotina racionalista em que caiu os historiadores modernos, considera-se suficiente dizer que os homens foram emancipados da mera superstição selvagem, tendo avançado em direção da iluminação civilizada. Ora, esse é um grande erro que fica como pedra de tropeço bem no começo de nossa história.

O fim da Idade Média não foi só o fim de um sono. E certamente não foi apenas o final de uma escravidão supersticiosa. Foi o fim de algo que faz parte de uma ordem bem definida, porém, bem diferente, de idéias.

sábado, 9 de outubro de 2010

A decadência da cultura brasileira

Olavo de Carvalho

Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da “cultura brasileira”? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.

A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar.

Mário Ferreira dos Santos


Olavo de Carvalho

Quando tudo o que hoje se escreve no Brasil tiver se desfeito em farrapos, quando até mesmo os melhores tiverem se tornado apenas verbetes de uma enciclopédia jamais consultada, as palavras de um pensador brasileiro ainda estarão vivas para mostrar, sobre as ruínas dos tempos, a perenidade do espírito humano.

Ninguém neste país ergueu mais alto o estandarte da inteligência nem levou o pensamento de língua portuguesa mais perto de uma universalidade supratemporal do que o filósofo paulista Mário Ferreira dos Santos (1903-1968).

Cultuado e respeitado, temido e odiado em vida, Mário tornou-se, uma vez morto, objeto de uma conspiração de silêncios destinada a abafar o mais paradoxal dos escândalos: este país sem cultura filosófica deu ao mundo um dos maiores filósofos do século, talvez de muitos séculos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sempre duelando


Chesterton: "Bernard, quem o vir pensará que estamos passando fome na Inglaterra".

Bernard Shaw: "Gilbert, quem o vir pensará que és a causa dessa fome".



(Foto: Shaw à esquerda e Chesterton à direita. No meio, Hilare Belloc.)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Tempero da vida e outros ensaios


Para a imensa satisfação de muitos, mais um livro de Chesterton nos chega em língua portuguesa: O Tempero da vida e outros ensaios.

"O obra reúne os pensamentos do criador do Padre Brown sobre o avanço da mentalidade burguesa e tecnológica entre as duas guerras, artigos sobre humor, sobre a literatura sentimental e sobre a composição de histórias de detetive, além de textos sobre as obras de Shakespeare, Esopo, Hans Christian Andersen, Lewis Carroll, Charles Dickens e Charlotte Brontë. Em todos eles, um senso de humor perpassa as reflexões sobre arte, filosofia e religião".

Trecho: "Se é para se condenar a literatura sentimental, definitivamente não o deverá ser porque é sentimental, e sim porque não é literatura. O drama ou a epopeia podem ser consideradas a vida ativa da literatura; o soneto ou a ode, a vida contemplativa. O ensaio é a brincadeira. O ócio é um alimento, como o sono; a liberdade é um alimento, como o sono. O humor corresponde à virtude humana da humildade e é apenas mais divino porque tem, por um instante, uma percepção maior dos mistérios".

Comprem!

Livraria Cultura

Livraria Saraiva

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O inventor

Gustavo Corção

Convém, antes de prosseguir, esclarecer a distinção entre o inventor e o descobridor.

O inventor pertence ao campo do fazer e define-se pelo ato de imprimir uma forma nova à matéria já conhecida; o descobridor pertence ao campo do conhecer e consiste em descobrir e formular novas propriedades e relações já existentes no objeto, mas escondidos à inteligência. A emissão eletrônica constituiu uma descoberta; a válvula eletrônica, foi uma invenção. As leis do pêndulo — esse antiqüíssimo objeto — foram descobertas; o relógio baseado no isocronismo pendular foi inventado.

O técnico distingue-se do cientista por ser um indivíduo em que o fazer prevalece sobre o conhecer...

O técnico, como seu irmão o poeta, é mais inovador do que o cientista e o descobridor. Quem descobre um satélite de Júpiter ou uma nova propriedade do oxigênio está apenas pronunciando pela primeira vez, com verbo humano, o que já estava escondido no céu ou na terra; quem faz um saca-rolhas ou um poema, está fazendo um objeto que antes dele não existia.

O homem de imaginação inventiva é o explorador dos possíveis.

Assim, tateando as essências, conduzindo-as e sentindo-lhes as resistências, vai o inventor experimentando aproximações até que descubra, num desses choques, uma fecundação. Aí se imobiliza, crispado, atento, como um felino e demora-se o quanto pode no deslumbramento da presa apetecida. Nesse momento acode-lhe ao espírito uma impressão extremamente ingênua: ele vê o objeto, numa antecipação, como se já estivesse pronto. Não no detalhe, problema por problema, mas inteiro embora indeciso como desenho de criança. Ele vê a forma da coisa que pela primeira vez na história do mundo se desenha em sua inteligência, oscilante, líquida, como se estivesse surgindo no fundo de um lago.

Desse momento em diante, já com o sabor das primícias, ele volta atrás, aos detalhes, aos problemas, tendo porém o passo mais firme porque já viu pronto, num sonho, o objeto de seus sonhos. Se foi uma miragem apenas ele irá tragicamente até as últimas conseqüências porque entre essa miragem e o universo inteiro, com suas pedras, árvores e metais, ele crê e prefere a miragem. Vestirá suas asas de lona e se esborrachará diante dos parisienses atônitos porque num certo minuto se viu voando em imaginação, tão vivo e leve como se fosse um albatroz.

O inventor técnico precisa de um ambiente rico de poesia, de filosofia, de formas diversas, onde enriqueça sua capacidade psicológica de explorar analogias. Em outras palavras: numa sociedade tecnicalizada a técnica ficaria rapidamente estacionária, e logo depois regrediria. Há um mistério de vida vivida, em casa, nos jardins, nos teatros, em cada parafuso do Radar e em cada peça de um abridor de latas.

Há pessoas que falando em vacas, só tem presentes e prontas para entrar em jogo na mente, as idéias correlatas mais próximas: leite, manteiga, problemas de pecuária ou de dieta. Outras, porém, dispõem de milhares de coisas que viu, que ouviu, em que pensou, tudo pronto para cruzar rapidamente o céu do pensamento, produzindo na passagem colisões, explosões, cintilações de onde saem outros com órbitas. Prontamente soltará dentro do círculo luminoso a lembrança do deus Osíris, o Egito inteiro, um quadro e pedaços de um discurso demagogo ouvido na véspera.

Examine o leitor, detidamente, o seu receptor de rádio e admire a confluência de coisas que ele representa. A caixa veio da floresta; o ferro e o alumínio, o vidro e o cobre, das quatro partes do mundo; a resina, as fibras, a borracha, que tinham seu emprego em milhares de outros objetos, encontram-se finalmente dentro do receptor; a cera das abelhas que Virgílio cantou, e que há séculos e séculos ilumina os altares, serve agora para revestir as bobinas.

O inventor, como o poeta, é o homem que procura o novo na colisão das coisas distantes.