“Contenham esse avanço... Façam qualquer coisa, por menor que seja... Mantenham aberta ainda que seja uma só porta dentre cem, pois conquanto que tenhamos pelo menos uma porta aberta, não estaremos numa prisão.”
(G.K.C)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Conforme a moda

Na maioria das minhas discussões (pequenos debates informais), tenho terminado dizendo: “Você não está sendo honesto. Não está aceitando por puro preconceito”. Realmente, as pessoas não andam pensando muito no que acreditam. Na verdade, como dizemos, “acreditam por acreditar”, mas não sabem por que crêem naquilo. Pior de tudo é que mesmo que refutemos argumento por argumento, nosso ponto de vista não é aceito. Quantos de nós acreditamos que o homem veio de um chimpanzé, sem jamais termos lido sequer um livro sobre o assunto? Quantos de nós acreditamos na reencarnação sem saber nada sobre tal doutrina? Simplesmente somos influenciados...

Abri um dos meus livros do Lewis e, coincidência ou não, li o seguinte: “Nossas opiniões não foram adquiridas com honestidade. Simplesmente nos colocamos em contato com uma série de idéias e nela mergulhamos, por nos parecer moderna e bem-sucedida. Na faculdade, você sabe, começamos automaticamente a escrever o tipo de trabalho que obtinha boas notas e a repetir o tipo de discurso que ganhava aplauso.

É sempre assim. Quer-se estar na moda. Pensa-se conforme a televisão diz que deva pensar e faz-se conforme o best-seller do The New York Times aconselha fazer. Sem críticas, sem resistência, sem se perguntar se é o certo, sem se preocupar se é verdade. É viver por viver, como uma pena que vai pra onde o vento soprar.

Pascal dizia que podemos ter três objetivos principais em relação à verdade: "um, descobri-la quando a buscamos; dois, demonstrá-la quando a possuímos; e por último, discerni-la do falso quando a examinamos". A moda hoje é não ter objetivo algum com a verdade. Assim, quem não a busca, muito menos pode demonstrá-la e, por não examiná-la, não pode discerni-la do falso.

2 comentários:

Elis disse...

Incrível como tudo hoje em dia é modismo: do vestuário à preferência sexual.
Gostei do seu texto. Bjo grande.

Aline disse...

Não encontro com muita facilidade pessoas que se dispõem a viver exatamente conforme aquilo em que acreditam. Preferem adotar posturas "previamente aceitas". Refletir sobre o que somos e o que queremos ser (no sentido mais existencial possível) parece coisa de gente "metida a intelectual". Quando, na verdade, é o que há de mais honesto a ser feito durante nossa caminhada. um abraço, Aline