Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Aversão à humanidade?
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Agnon Fabiano
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
A neurose moderna
A referência para a diferenciação entre real e imaginário está relacionada à vontade e ao tempo. À vontade, porque o real eu não posso mudar como eu bem quiser (apesar de poder mudar algumas coisas), mas o imaginário, sim. Ao tempo, porque somente o presente é real; o passado só poderá vir à tona na lembrança e o futuro se imaginado.
Porém, a vontade e o tempo só serão referências do real se formos honestos conosco. Eu posso mentir para os outros sem que ninguém saiba, a não ser eu. Mas mentir pra si mesmo pode tornar-se uma doença no momento em que nos esquecemos que estamos mentindo. A neurose, por exemplo, é uma mentira inventada, mas esquecida de que foi inventada. Por isso o neurótico a vê como real; ele esqueceu que ele mesmo inventou aquilo.
Daí podemos tirar a conclusão de que o real depende da nossa autoconsciência, da nossa capacidade de ter o compromisso da verdade pelo menos para nós mesmos, para que não esqueçamos que tal ou tal coisa foi imaginação minha ou que tal e tal coisa foi uma mentira que inventei, etc.
Eis o motivo pelo qual não me agrado do Pensamento Positivo, da Lei da Atração, etc, que vêm sendo difundidos hoje em dia nos nossos "best-sellers". Eles simplesmente nos estimulam a soltar as rédeas da imaginação, para que possamos criar nosso futuro como bem entendermos e de uma maneira tal, com técnicas de auto-engano, que possam nos fazer crer verdadeiramente que aquilo que criamos na nossa mente seja a realidade, o efetivo. Estão nos ensinando um tipo de neurose moderna, pois, conforme as técnicas desses livros, devemos criar o nosso futuro e crer que ele já é real; e quem melhor aplica essas técnicas é aquele que não duvida daquilo que imaginou e o já tem como realidade. Pura neurose. Devemos esquecer que inventamos.
Pior de tudo, neurose egoísta, cuja finalidade é ensinar que as pessoas vejam a si mesmas como um super-homem melhor que cada outro. "Ensinam a serem esnobes; espalham uma espécie de poesia maligna de materialismo... inflamam as paixões mais vis da ganância e do orgulho."
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Agnon Fabiano
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21:53
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Do amoroso esquecimento
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
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Agnon Fabiano
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
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Agnon Fabiano
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Sábado, 27 de Junho de 2009
Quando uma virtude se torna um defeito
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Agnon Fabiano
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15:04
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Cuidado ao julgar o outro
Certo dia todos da casa escutaram tiros e barulhos de móveis arrastando e de objetos sendo quebrados, que vinham do quarto do Sr. Armstrong. Logo depois ele foi encontrado morto no jardim, bem debaixo da janela do seu quarto onde dormia no segundo andar. Um pedaço de corda parecia preso a uma das pernas, enredado provavelmente numa luta. Havia uma mancha de sangue pequena, mas o corpo estava dobrado ou quebrado no chão. A polícia chegou e o detetive começou a investigar o caso. Interrogou o mordomo, a filha e o secretário do Sr. Armstrong. Todos eram suspeitos. No quarto, foi encontrado um revólver com todos os cartuchos disparados, um punhal ensanguentado, que era de Patrick, e um pedaço de corda, além de meia garrafa de uísque rolada no chão.
Mas quando as investigações penderam para acusar Alice, pelo fato da fortuna que ela herdaria do pai, Patrick confessou o crime e Alice, ainda muito abalada, chamando o detetive, contou o que havia presenciado:
"Eu estava neste cômodo contíguo ao deles - explicou a moça -, ambas as portas estavam fechadas, mas ouvi de repente uma voz, como nunca tinha visto antes na face da Terra, rugir 'Diabo, diabo, diabo' muitas vezes, e depois ambas as portas estremeceram com a primeira detonação do revólver. Ouvi mais três estrondos antes de abrir as duas portas, e vi então que o cômodo estava cheio de fumaça; mas o revólver estava fumegando na mão do meu pobre e louco Patrick; e com os meus próprios olhos o vi disparar o último tiro. Depois ele saltou sobre meu pai - que aterrorizado, estava agarrado ao peitoral da janela - e, segurando-o, tentou estrangulá-lo com a corda que lhe jogara sobre a cabeça, a qual deslizou dos ombros que se debatiam para os pés. Aí a corda se enrolou numa perna, e Patrick o arrastou como um alucinado. Eu peguei um punhal e, correndo muito, consegui cortar a corda antes de desmaiar."
Padre Brown, que foi chamado para ajudar neste caso, e que é o principal personagem de Chesterton nesses contos, sempre usa o bom-senso para desvendar os crimes. Depois de observar todos os acusados e ouvi-los depor, chamou o grupo de policiais e falou:
"Eu lhes disse que neste caso havia armas de mais e uma só morte. Digo-lhes agora que não eram armas, e de fato não foram usadas armas para provocar a morte. Todos esses terríveis instrumentos, a corda, o punhal ensanguentado, o revólver, foram instrumentos de uma estranha misericórdia. Não foram usados para matar o Sr. Armstrong, mas para salvá-lo."
E depois conclui:
"Por trás da máscara alegre estava uma mente vazia. Por fim, para manter o seu alegre nível social, voltara ao vício do alcoolismo, que ele tinha deixado havia muito. Mas o alcoolismo provoca este horror num ex-abstêmio genuíno: faz com que ele imagine e espere o inferno psicológico contra o qual alertara outros. Logo, esse inferno se abateu sobre o Sr. Armstrong, e esta manhã ele estava em tal estado, que se sentou aqui e começou a gritar que estava no inferno, e o fez com uma voz tão transtornada, que a filha não a reconheceu. Estava louco para morrer, e com um artifício típico de loucos, espalhara à sua volta a morte em muitas formas: um laço, um revólver e um punhal do amigo. Patrick entrou por acaso e agiu prontamente. Jogou o punhal no tapete, agarrou o revólver e, sem tempo para tirar as balas, esvaziou-o dando vários tiros para o chão. O suicida viu uma quarta forma de morte, e precipitou-se para a janela. Seu salvador fez a única coisa que podia: correu atrás dele com a corda e tentou atar-lhe os pés e as mãos. Foi então que a pobre moça entrou correndo e, interpretando mal a luta, tentou libertar o pai cortando a corda. Sucede apenas que, antes de desmaiar, a pobre moça conseguiu soltar o pai cortando a corda, assim, ele pôde pular da janela para estatelar-se na eternidade".
O detetive, sem entender a confissão de Patrick, o chamou e disse:
- Acho que você deveria ter falado a verdade - disse o detetive.
- Você não vê que ela não pode saber? - falou Patrick.
- Saber o quê? - indagou o detetive espantado.
- Que matou o pai! Se não fosse ela, ele estaria vivo agora. Se ela souber disso, pode enlouquecer.
Neste conto, tudo indicava que Patrick era culpado, mas eis que toda a sua culpa foi mentir para "conservar" sua amada.
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Agnon Fabiano
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13:09
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Discordando de Platão no amor
Nas palavras de Platão, o que é amar? "É carecer do que se ama e querer possuí-lo para sempre". Se amor é desejo e se desejo é carência, só podemos amar aquilo que não temos.
Mas a essência do desejo não é a falta. Há vários tipos de amores e o que eles têm em comum não é a falta. Amor aos pais, amor aos filhos, amor aos lugares, amor pelos amigos... Na verdade o que esses tipos de amor têm em comum é a alegria, o regozijo. Não é por faltar que eu amo, mas o que eu amo é que, às vezes, me falta. O que vem primeiro é a alegria, o desejo, a vontade e não a falta. "Há uma felicidade em mim, cuja causa é você", isso é o amor. Adeus, Platão.
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Agnon Fabiano
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Terça-feira, 9 de Junho de 2009
O perigo das idéias
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Agnon Fabiano
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Homem bizarro
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Agnon Fabiano
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Incompreensão das emoções
O que muitas vezes nos angustia nas coisas emocionais é não entendê-las racionalmente. É querer enterder, mas ficar perdido no vazio onde raciocínio não alcança. Se a emoção é boa, apenas desfruta-se, se é ruim, apenas sofrer-se.
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Agnon Fabiano
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