“Contenham esse avanço... Façam qualquer coisa, por menor que seja... Mantenham aberta ainda que seja uma só porta dentre cem, pois conquanto que tenhamos pelo menos uma porta aberta, não estaremos numa prisão.”
(G.K.C)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O pessimista

Chesterton [com adaptações minhas]

O pessimista acha que tudo é ruim, exceto ele mesmo.


O ser humano pertence a este mundo antes de começar a perguntar se isso é agradável. Ele lutou pela bandeira, e muitas vezes conquistou heróicas vitórias por ela muito antes de estar sequer alistado. Para resumir o que parece ser a questão essencial, ele tem um dever de lealdade muito antes de ter qualquer admiração.

[O mundo] é a fortaleza de nossa família, com a bandeira tremulando no torreão, e quanto pior ele for, tanto menos razão para o deixarmos. A questão não é que este mundo é triste demais para ser amado ou alegre demais para não o ser; a questão é que, quando se ama alguma coisa, a sua alegria é a razão para amá-la, e a sua tristeza é a razão para amá-la ainda mais. Todos os pensamentos otimistas sobre a Inglaterra e todos os pensamentos pessimistas sobre ela são igualmente boas razões para o patriota inglês.

Volte às mais sombrias raízes da civilização, e você descobrirá que elas estão presas em volta de alguma pedra sagrada ou em torno de algum poço sagrado. As pessoas primeiro prestaram homenagem a um local e depois conquistaram a glória para ele. Roma não foi amada por ser grande. Ela foi grande por ter sido amada.

Qual é o problema do pessimista? Acho que ele pode ser exposto dizendo que se trata de um antipatriota cósmico. E qual é o problema do antipatriota? Acho que ele pode ser expresso [....] dizendo que se trata de um amigo sincero. E qual é o problema do amigo sincero? [....] o ponto negativo do amigo sincero é simplesmente que ele não é sincero. Sempre esconde alguma coisa — seu prazer sombrio em dizer algo desagradável. Ele alimenta um desejo secreto de ferir, não apenas de ajudar. É certamente isso, na minha opinião, que torna determinado tipo de antipatriota irritante aos olhos de cidadãos sadios. [Ele fala:] "Lamento dizer que estamos arruinados", mas ele de fato não lamenta nada. E pode-se dizer, sem retórica, que se trata de um traidor; pois ele está usando aquele perigoso conhecimento que lhe foi dado para fortalecer o exército, a fim de dissuadir as pessoas de se alistarem.

Exatamente da mesma forma o pessimista (que é o antipatriota cósmico) usa a liberdade que a vida [lhe] confere, a fim de aliciar e afastar as pessoas da bandeira [do mundo]. Admitindo-se que ele apenas declare fatos, é ainda essencial saber quais são suas emoções, qual é sua motivação. Pode ser que mil e duzentos cidadãos em Tottenham tenham sido afetados pela varíola; mas nós queremos saber se isso está sendo afirmado por algum grande filósofo que deseja amaldiçoar os deuses, ou simplesmente por algum [homem] comum que deseja ajudar os homens.

O pecado do pessimista não é, então, que ele pune os deuses e os homens, mas que não ama o que pune — ele não tem essa lealdade primária e sobrenatural às coisas.

4 comentários:

Jefferson Góes disse...

Muito legal, Agnon, o texto de Chesterton. E eu não o conhecia. Interessante esta sintonia.

Forte abraço!!

Agnon Fabiano disse...

Quando li aquela sua postagem no seu blog, lembrei-me rapidamente do Chesterton e vim publicar esse texto dele aqui.

Abraço.

Edja Siilva disse...

Oii Fabiiano, poxa vi seus posts achei interessante , vou fiicar te seguiindo agora!!!

Agnon Fabiano disse...

Fique à vontade, Edja.
Um abraço.